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ComeçarO que é a Ansiedade?
A ansiedade faz parte de um sistema adaptativo de sobrevivência que desempenha funções importantes na proteção do indivíduo. Trata-se de uma resposta que nos deu uma vantagem evolutiva, ao preparar o organismo para reagir a potenciais ameaças através da fuga ou da defesa. Esta resposta ansiosa corresponde a um mecanismo automático de alarme e proteção, de base biológica, presente tanto nos seres humanos como nos animais, e pode surgir perante perigo real ou percecionado.
A ansiedade envolve um sistema de resposta complexo, que integra componentes cognitivas, emocionais, fisiológicas e comportamentais, sendo ativada quando os acontecimentos são percecionados como imprevisíveis, incontroláveis ou potencialmente ameaçadores. É uma emoção orientada para o futuro e está associada a uma rápida focalização da atenção em possíveis perigos ou na própria experiência emocional de ameaça.
Embora algumas emoções sejam rotuladas como negativas, em certas situações são uma parte essencial das trajetórias de vida dos indivíduos. A ansiedade é também um estado que tem sido fortemente estigmatizado pela sociedade. Exceto em níveis excessivos, a ansiedade na realidade protege os indivíduos contra perigos no mundo exterior e ajuda-os a agir com mais cautela. A ansiedade considerada “normal” é proporcional à situação, temporária e ajustada ao contexto, enquanto a ansiedade patológica é intensa, persistente e interfere no funcionamento diário. A intensidade da ansiedade pode variar de pessoa para pessoa e de situação para situação. Enquanto alguns acontecimentos podem não causar qualquer ansiedade em certas pessoas, outras podem ser mais sensíveis a esses acontecimentos.
Quais São os Tipos de Ansiedade?
A ansiedade pode tornar-se angustiante quando é sentida de forma muito intensa e pode criar obstáculos que impedem os indivíduos de continuar o seu quotidiano com conforto. Quando a ansiedade surge como um problema, perturba o bem-estar psicológico e pode levar a várias perturbações. É importante reforçar que só falamos em “perturbação de ansiedade” quando a intensidade, frequência ou duração dos sintomas provoca sofrimento significativo e/ou interfere com a vida social, profissional, académica ou familiar. Em alguns casos, esta ansiedade pode desenvolver-se independentemente de qualquer fator que tenha, de facto, potencial para gerar preocupação.
Existem várias perturbações de ansiedade descritas na literatura clínica, que diferem entre si na forma como a ansiedade se manifesta e nos conteúdos das preocupações. De seguida, apresentamos alguns exemplos.1O que é a Perturbação de Ansiedade Generalizada?
A ansiedade pode, de um modo geral, surgir em resposta a um acontecimento ou situação específica. Este sentimento pode ocorrer como resultado de uma circunstância e, à medida que o evento termina, a ansiedade sentida pelos indivíduos pode também diminuir simultaneamente. No entanto, em pessoas com perturbação de ansiedade generalizada, a ansiedade pode desenvolver-se independentemente de qualquer fator ou acontecimento concreto. Este estado de ansiedade, que pode surgir sem um desencadeador específico, pode durar meses ou até anos.
A perturbação de ansiedade generalizada caracteriza-se por preocupação excessiva e difícil de controlar. Esta preocupação abrange múltiplas áreas da vida, como trabalho, saúde, desempenho ou questões familiares, mesmo quando não existe um motivo concreto para tal. Além da preocupação persistente, surgem frequentemente sintomas físicos e cognitivos como tensão muscular, inquietação, irritabilidade, dificuldade de concentração e alterações no sono. Gerir a ansiedade pode tornar-se extremamente difícil com esta perturbação, e os indivíduos podem ter dificuldade em compreender a razão do que sentem.O que é a Perturbação de Pânico?
A perturbação de pânico envolve ataques de pânico recorrentes e inesperados, caracterizados por sintomas físicos intensos, como palpitações, falta de ar, tonturas, ondas de calor, dormências ou sensação de morte iminente. Após estes ataques, é comum desenvolver-se ansiedade antecipatória, ou seja, medo persistente de ter novos episódios, e evitamento de situações associadas aos ataques. É este conjunto de ataques inesperados, medo do próximo ataque e evitamento que define clinicamente a perturbação.
O que é a Perturbação de Ansiedade Social?
A ansiedade nos indivíduos pode estar direcionada para muitos fatores ambientais e internos. Na perturbação de ansiedade social, contudo, esta ansiedade ocorre em situações que exigem interação social e em ambientes sociais. A principal preocupação das pessoas com esta perturbação costuma derivar do medo de serem avaliadas pelos outros e de ficarem numa posição negativa aos seus olhos. Por exemplo, comer em público, manter contacto visual ao falar ou subir ao palco pode tornar-se difícil. Além disso, os sintomas físicos da ansiedade social podem ser semelhantes aos dos ataques de pânico.
Perturbações Relacionadas com Diversas Fobias
As fobias são medos intensos que os indivíduos desenvolvem em relação a determinados objetos ou situações. Estes medos podem gerar ansiedade severa e dificultar a manutenção da vida diária. Ter uma fobia específica pode depender de fatores ambientais e genéticos. Experiências traumáticas relacionadas com o objeto ou situação fóbica são frequentemente consideradas como uma das principais causas do desenvolvimento da fobia.
Esta perturbação, que afeta significativamente a qualidade de vida e pode levar-nos a perceber situações perigosas como ainda mais assustadoras, é, por exemplo, observada sob a forma de medo de alturas, espaços fechados ou animais.Como é que o Nosso Corpo Responde à Ansiedade?
A forma como experienciamos as emoções e a intensidade com que o fazemos é muito importante. Qualquer emoção que se torne excessiva pode perturbar o equilíbrio das nossas vidas ao afetar o nosso bem-estar psicológico. A ansiedade é também um dos estados emocionais que precisa de ser vivido com moderação. Quando sentida a um nível normal, sem afetar o equilíbrio ou a qualidade de vida, a ansiedade pode proteger-nos de potenciais perigos ambientais. No entanto, quando é excessiva, frequente ou desproporcional, pode tornar-se desgastante e interferir no bem-estar psicológico.
O nosso cérebro e sistema nervoso funcionam através de um sistema de resposta automática de sobrevivência, frequentemente designado por resposta de luta ou fuga. Perante uma ameaça percecionada, o organismo prepara-se para agir, seja através da fuga ou da confrontação. Esta ativação é natural e adaptativa quando existe um perigo real ou percebido como tal. No entanto, quando este sistema é ativado de forma repetida em situações que não representam uma ameaça real, pode ocorrer uma sobrecarga fisiológica e emocional e levar ao desenvolvimento de outras doenças.
A ansiedade não é apenas uma experiência mental, mas resulta da interação entre o cérebro e o sistema nervoso autónomo, que regula diversas respostas do corpo. Durante um estado de ansiedade, várias regiões cerebrais são ativadas, desencadeando respostas fisiológicas em diferentes órgãos do nosso corpo. Por exemplo, quando estamos ansiosos, podemos sentir uma atividade intensa no intestino grosso, que por vezes é chamado de “segundo cérebro”.
Além disso, a ativação de sistemas neuroquímicos e hormonais, como a serotonina, a noradrenalina e o GABA (ácido gama-aminobutírico), desempenha um papel importante na regulação da ansiedade e da resposta ao stress. Quando existe um desequilíbrio nestes sistemas, a resposta ansiosa pode tornar-se mais intensa ou persistente. Por este motivo, níveis elevados de ansiedade podem também estar associados a manifestações físicas, como alterações gastrointestinais, tensão muscular, enfraquecimento do sistema imunitário, alterações do sono, oscilações da pressão arterial e maior vulnerabilidade ao stress. Desta forma, as emoções e os estados mentais não podem ser compreendidos de forma isolada do corpo, uma vez que fazem parte de um sistema integrado de resposta ao ambiente. A forma como este sistema é ativado e regulado influencia diretamente o bem-estar físico e psicológico.Qual é a Base Evolutiva da Ansiedade?
A ansiedade é um estado que os seres humanos experienciam em diferentes situações desde tempos antigos. Enquanto reação instintiva do cérebro, a ansiedade torna-se funcional quando nos ajuda a adaptar-nos ao ambiente. Por exemplo, quando existe uma ameaça concreta no meio envolvente, o nosso nível de ansiedade aumenta em harmonia com a situação. Nesses momentos, a ansiedade é funcional. Embora existam diferenças entre os tempos modernos e as eras antigas, as ameaças percebidas pelos indivíduos podem ainda ser semelhantes. Catástrofes naturais, guerras, humilhação social3 e doenças, por exemplo, podem ser percebidas como ameaças em diferentes períodos. A semelhança dos fatores que provocam ansiedade ao longo do tempo pode ser explicada numa perspetiva evolutiva. Os indivíduos tendem a sentir mais ansiedade em relação às coisas que mais valorizam.
Embora alguns fatores valorizados mudem ao longo do tempo, estes também são transmitidos às novas gerações e passados de geração em geração. Por exemplo, nos tempos antigos, viver em comunidade era muito importante tanto por razões de segurança como sociais. Os indivíduos aceites pela sociedade eram considerados de estatuto mais elevado e viviam de forma mais confortável. Atualmente, embora a aceitação social já não seja uma questão de sobrevivência, continua a ter uma importância psicológica significativa. Indivíduos que se sentem aceites no local de trabalho, na família e nos círculos sociais tendem a apresentar níveis mais elevados de bem-estar. Neste sentido, ao analisarmos a ansiedade social, o medo de humilhação ou avaliação negativa desempenham um papel central. Este tipo de ansiedade pode também ter sido experienciado por pessoas em tempos antigos, embora só recentemente tenha sido designado como “ansiedade social”.
Como é que a Ansiedade é Abordada em Terapia?
Indivíduos que sentem ansiedade de forma frequente e intensa em resposta a acontecimentos ou pensamentos podem tender a restringir, em certa medida, as suas vidas. Esta restrição pode afetar negativamente tanto a própria pessoa como os outros e pode ainda aumentar a ansiedade. Indivíduos que entram no ciclo da ansiedade podem tornar-se sensíveis até aos estímulos mais pequenos. Para quebrar este ciclo, reduzir pensamentos angustiantes e viver de forma mais estável, as pessoas que lidam com ansiedade podem procurar apoio profissional e considerar iniciar terapia.
Quando a ansiedade não é funcional, o nosso corpo pode transformá-la em sintomas físicos, levando ao desenvolvimento de vários problemas de saúde. Neste ponto, receber apoio externo pode melhorar significativamente o bem-estar geral. Em terapia, sobretudo em abordagens cognitivo-comportamentais, trabalha-se a ansiedade através de várias estratégias estruturadas e baseadas em evidência: psicoeducação sobre o funcionamento da ansiedade; identificação e reestruturação de padrões de pensamento disfuncionais; treino de regulação emocional e técnicas de relaxamento; exposição gradual e controlada a situações evitadas para reduzir o medo; e promoção de competências que aumentam o sentido de controlo e eficácia. O objetivo é ajudar a pessoa a compreender o seu padrão de ansiedade, a reduzir o sofrimento e a recuperar a sua qualidade de vida.Quando Procurar Ajuda para a Ansiedade?
Embora a ansiedade faça parte da experiência humana e possa ser adaptativa em muitas situações, existem sinais que indicam que poderá ser importante procurar apoio profissional. Reconhecer estes sinais atempadamente pode ajudar a prevenir o agravamento dos sintomas e a melhorar a qualidade de vida.
Deve considerar procurar ajuda quando a ansiedade:
- É persistente e dura várias semanas ou meses, mesmo sem um motivo claro;
- É desproporcional em relação à situação que a desencadeia;
- Interfere com o funcionamento diário, nomeadamente no trabalho, estudos, relações ou tarefas do dia a dia;
- Leva à evitação de situações importantes ou anteriormente geridas com facilidade;
- Provoca sofrimento psicológico significativo, como sensação constante de medo, tensão ou inquietação;
- Se manifesta através de sintomas físicos intensos, como palpitações, tonturas, dificuldades respiratórias ou problemas gastrointestinais;
- Afeta o sono, o apetite ou os níveis de energia de forma consistente;
- Gera dificuldade em gerir pensamentos preocupantes ou sensação de perda de controlo.
Procurar ajuda não significa que algo está “errado”, mas sim que está a dar um passo importante para compreender melhor o que está a sentir e encontrar estratégias mais eficazes para lidar com a ansiedade. A intervenção psicológica pode ajudar a reduzir o sofrimento e promover um maior bem-estar emocional e qualidade de vida.
References
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