O Que Significa Viver O Momento? Ser Feliz Sem Ficar Preso Ao Passado e Ao Futuro

O ritmo acelerado e intenso do mundo atual, juntamente com o esforço para acompanhar responsabilidades constantemente concorrentes, enfraqueceu gradualmente o contacto dos indivíduos com o momento presente. Essa desconexão pode criar um terreno significativo para ficar preso a experiências passadas ou para o aumento de ansiedades orientadas para o futuro. Dentro dessa estrutura da vida moderna, os indivíduos muitas vezes, sem perceber, movem-se mentalmente entre o passado e o futuro.
Deste ponto de vista, viver o momento, ou por outras palavras mindfulness, no seu sentido mais básico, significa que o indivíduo está consciente tanto das suas experiências internas como do ambiente em que se encontra1. A abordagem da atenção plena baseia-se em direcionar a atenção para o momento presente, sem julgamentos, e estabelecer contacto com esse momento. A consciência do presente também é uma fonte importante para o indivíduo experimentar a vida de uma forma mais significativa e holística.
A capacidade do indivíduo de tomar decisões conscientemente apoia o alinhamento dos objetivos de vida com os seus próprios valores2. Neste contexto, a atenção plena não é apenas uma prática que visa sentir-se bem; refere-se à capacidade do indivíduo de aceitar o momento presente tal como ele é, perceber a sua experiência sem julgamento e aumentar a flexibilidade psicológica. Viver o momento é um processo psicológico fundamental que apoia o bem-estar mental além da felicidade.
Efeitos Psicológicos de Permanecer no Presente
- Aumento do equilíbrio emocional
- Diminuição de pensamentos negativos repetitivos (ruminação)
- Fortalecimento das habilidades de regulação emocional
- Aumento do bem-estar psicológico
- Redução do stress
Efeitos Psicológicos De Ficar Preso Ao Passado
Ficar preso ao passado refere-se à incapacidade do indivíduo de permanecer mentalmente no presente devido a pensamentos repetitivos e difíceis de abandonar sobre eventos negativos do passado. Esta situação pode fazer com que o indivíduo sinta as experiências passadas "como se ainda estivessem a acontecer". Portanto, o indivíduo tem dificuldade em colocar distância mental entre si mesmo e o evento passado.
Pesquisas demonstraram que ficar preso ao passado está associado a processos psicológicos como ansiedade e depressão. O foco constante da mente em eventos passados pode desencadear o aparecimento de respostas ao stress ou sintomas depressivos4.
Ficar preso a um evento ou pensamento relacionado ao passado;
- Pode levar a uma diminuição da calma mental
- Um declínio nas habilidades de resolução de problemas
- Um aumento nas reações a emoções negativas5.
O Conflito Fundamental Entre o Comportamento de Controlo e Permanecer no Presente
O comportamento de controlo é o esforço para reduzir a ansiedade decorrente da incerteza, regulando experiências internas ou externas3. No entanto, descobriu-se que o comportamento de controlo tem uma relação negativa com a capacidade de permanecer no presente.
Assim, à medida que o comportamento de controlo aumenta;
- A atenção dada ao momento presente diminui: os esforços de controlo concentram-se principalmente no futuro e na avaliação do passado. Esta situação leva a uma diminuição da consciência do indivíduo.
- A eficácia do indivíduo em permanecer no presente enfraquece: o comportamento de controlo pode fazer com que os pensamentos negativos se tornem ainda mais fortes e visíveis. Isso pode resultar em frustração, perda de motivação e distração.
- As habilidades de regulação emocional diminuem: situações incontroláveis podem aumentar os níveis de stress e impedir o indivíduo de equilibrar as suas emoções.
A experiência de permanecer no presente envolve perceber o agora sem controlar, julgar ou tentar mudá-lo. Portanto, o objetivo não é controlar a mente, mas perceber a experiência.
Como a Capacidade de Permanecer no Presente Pode Ser Desenvolvida?
Pesquisas mostram que, à medida que o número de momentos em que a pessoa está consciente aumenta, observa-se um aumento na frequência com que o indivíduo experimenta emoções positivas, como "ser feliz". Existe uma forte relação entre a experiência de permanecer no presente, a calma mental e o bem-estar psicológico.
Estudos têm enfatizado que a experiência de permanecer no presente é um processo que pode ser aprendido. Neste ponto, observou-se que exercícios regulares de permanência no presente aumentam essas habilidades.
Exercícios para permanecer no presente incluem:
- Exercícios de consciência focados na respiração: Têm como objetivo direcionar a atenção do indivíduo para o fluxo natural da respiração, sem julgamentos. O indivíduo simplesmente acompanha a sua respiração, sem tentar alterar a sua velocidade ou profundidade. Se o indivíduo se distrair do momento devido a pensamentos, ele suavemente volta a concentrar a sua atenção na respiração. Desta forma, cria-se espaço para experiências internas.
- Exercício de consciência emocional: Permite que o indivíduo se concentre nas suas emoções, perguntando a si mesmo "Como me sinto?" no momento presente. O objetivo não é fazer com que o indivíduo se sinta bem. É mostrar que o indivíduo pode permanecer no momento junto com essa emoção.
- Exercícios de atenção e captura do momento: O indivíduo usa os seus cinco sentidos para permanecer no presente junto com a sua emoção atual. Ao observar os sons, cheiros e estímulos visuais ao seu redor, um por um, o indivíduo percebe a tendência da mente de se mover em direção ao passado e ao futuro.
- Exercícios de varredura corporal: Envolvem direcionar sistematicamente a atenção para diferentes áreas do corpo. O indivíduo começa a observar o que está a acontecer em seu corpo naquele momento. Desta forma, ao perceber sensações como dor, tensão, calor, etc., cria-se espaço para se desligar dos pensamentos.
Quando É Necessário Apoio Profissional?
Pesquisas enfatizam que a diminuição da capacidade do indivíduo de permanecer no presente não se deve à falta de habilidade. A diminuição da capacidade de permanecer no presente tem sido associada ao domínio de certos processos psicológicos. Portanto, em alguns casos, a incapacidade de manter a capacidade de permanecer no presente pode indicar que o indivíduo precisa de apoio profissional.
Essas situações incluem:
- Histórico de trauma ou reações corporais intensas: se o indivíduo perceciona estar no presente como inseguro ou se sensações de paralisia ou constrição são intensamente sentidas durante as tentativas de permanecer no presente;
- Predominância de pensamentos negativos repetitivos: Se o indivíduo não consegue sair da intensidade dos pensamentos do tipo "se ao menos" apesar dos esforços para permanecer no presente;
- Presença de evitação emocional: se permanecer no presente é percebido como enfrentar a dor ou se as emoções são suprimidas, levando o indivíduo ao pensamento "eu preciso de ser forte";
- Se houver um transtorno de ansiedade: Se o indivíduo não se consegue distanciar de cenários intensos de ansiedade orientados para o futuro e se sente compelido a tomar precauções por causa desses cenários;
- Se o desempenho diário estiver comprometido: se os esforços pessoais do indivíduo não surtirem efeito e o seu trabalho, relacionamentos e autocuidado forem cada vez mais afetados por essa situação, é importante procurar ajuda profissional.
Na Hiwell, pode fazer vários testes psicológicos, como testes de ansiedade, depressão e stress, para conhecer os seus resultados e, em seguida, avaliá-los juntamente com o seu terapeuta.
Todos os processos discutidos acima mostraram que permanecer no presente não é apenas uma prática de atenção plena; é uma habilidade psicológica que afeta diretamente o bem-estar mental do indivíduo. Por outro lado, ficar preso ao passado e controlar o comportamento são condições psicológicas importantes que dificultam que o indivíduo permaneça no presente. Embora a capacidade de permanecer no presente possa ser desenvolvida, em alguns casos pode ser necessário apoio profissional. Portanto, perceber essa experiência sem julgamento e procurar apoio quando necessário é um passo importante.
Bibliografia
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